Nada é Assim
LIBERTADORES: Flamengo 2-0 Real Potosí

Ontem acompanhei atentamente o jogo e, como bom vascaíno, sequei. Sequei bastante. Mas antes mesmo do jogo começar eu já tinha em mente que o Flamengo não se classificaria se acontecesse no Engenhão aquelas surpresas que apenas o futebol nos proporciona.

E o jogo começou como todos esperavam. O Real Potosí entrou em campo com um esquema e uma postura que lembrou ligeiramente a do Santos contra o Barcelona, na final da Copa do Mundo de Clubes, do ano passado: diferente da primeira linha de 5 e da segunda de 3 do Santos, o Real Potosí entrou com duas linhas de 4 atrás da linha da bola e com Edgardo Brittes e Gerardo Yecerotte mais do que isolados na frente. O Flamengo, obviamente, tinha mais posse de bola, a ponto de chegar a 75 %. Mas, diferente do Barcelona, o Flamengo tem em seu ponto fraco, a falta de qualidade técnica dos seus jogadores do meio-de-campo. Com exceção de Dario Bottinelli, Willians, Luiz Antônio e, principalmente, Renato Abreu, erravam um número absurdo de passes que só não resultou em gol lilás porque a equipe boliviana não fazia questão de ir com tudo nos contra-ataques. Foi aí que apareceu os laterais. Leo Moura e Júnior César avançaram, aproveitando as brechas que tinham e a dificuldade do meio-campo. As tabelas apareceram e o time esbarrava na boa atuação do goleiro Henry Lapczyk. Até o minuto 40. Cruzamento de Ronaldinho e cabeçada de Leo Moura. Naquele momento, pensei: “agora ‘abriu a porteira’”. Ledo engano.



Veio o segundo tempo e o time do Real Potosí saiu. O Flamengo, nervoso, poderia sair desclassificado. Mas era o Real Potosí do outro lado. As chances criadas pelo time boliviano eram desperdiçadas de tal forma que era desanimador a qualquer torcedor que acreditava em um “Engenhãonazo”. Nem mesmo com a expulsão de um de seus jogadores, o zagueiro Centurión, o Real Potosí desanimou. Mesmo após isso, saiu um volante (Ortiz) e entrou um atacante (Angola). Ainda assim, o Flamengo tinha uma dificuldade em aproveitar esses espaços… É essa a função que o Vágner Love, contratação super-festejada na Gávea, terá nesse time do Flamengo. Na minha opinião, ele não vem para ser o homem-gol, o centroavante. Ele vem para jogar como segundo atacante e dar velocidade e improvisação em um time que ainda é previsível e monótono. Mesmo com seu reforço ainda nas arquibancadas, o Flamengo conseguiu o segundo gol com Ronaldinho em uma belíssima jogada. Jogada de craque que, de fato, apareceu na hora que o Flamengo precisou, pois o mesmo passava sufoco. E a classificação para a fase de grupos veio.

Agora, seus adversários serão o Olimpia, o Emelec e o Lanús. Os três são times melhores que o Real Potosí. Ou seja: para se classificar à fase de mata-mata, vai ter que melhorar. Mas não é “vem Vágner Love e Marcos González e ‘tá’ beleza”. O Flamengo, desde o ano passado, não é um time. É um bando. Foi um bando que deu uma sorte… Ganhou um título invicto (não sei como) e achou uma vaga para a Libertadores. Agora, o time está pagando por isso. Agora, com ou sem Vanderlei Luxemburgo como técnico, o Flamengo terá duas semanas para formar, de fato, um time, algo que não conseguiu em mais de um ano. Pois é… agora vão ter que se virar!

MLS na Libertadores: sim ou não?

Em 2010, o presidente da CONMEBOL, Nicolás Leoz, em uma entrevista ao jornal LANCE!, respondeu uma série de perguntas sobre temas variados. Uma dessas perguntas dizia: Quando os clubes dos Estados Unidos jogarão a Libertadores? A resposta de Leoz: “Há um tempo queremos isso, mas não depende só de nós (CONMEBOL) […] esperamos que aconteça (a fusão da CONCACAF com a CONMEBOL), gostaria de fazer uma Libertadores com equipes dos EUA. O nível do futebol estadunidense está crescendo. A porta está aberta”.

A previsión era que as equipes da MLS debutassem na Libertadores em 2012, segundo o site oficial da Liga (que também possui equipes do Canadá), mas que já foinegada”. Há muitos prós e contras com essa posibilidade. Vamos a eles:

PRÓS

O principal pró (do nosso lado, o sul-americano), seria financeiro. Seria um meio ótimo de divulgação para as equipes sul-americanas jogar nos Estados Unidos. Exemplo: equipes como Real Madrid, Barcelona, Juventus, Manchester United e Manchester City fizeram parte de sua pré-temporada para a temporada 2011-12 nos Estados Unidos, enfrentando equipes da MLS, como Los Angeles Galaxy e Philadelphia Union. Estes confrontos levaroam um grande público aos estádios estadunidenses. Além disso, todos sabemos que os Estados Unidos são “reis” do marketing. O site da MLS, por exemplo, é muito organizado e agradável de se navegar. Alguns jogadores, como David Beckham e Thierry Henry, chamariam a atenção do público da América do Sul. Ver jogadores de renome jogando nos gramados da América do Sul seria bastante vantajoso.
Para eles, a vantagem principal seria a qualidade. Com equipes como Universidad de Chile, Vasco da Gama, Fluminense, Santos, Boca Juniors, entre outras, eles ganhariam o suficiente para aprender a jogar ‘soccer’, para aumentar sua qualidade e sentir a atmosfera da Libertadores.


Créditos: site oficial da MLS

CONTRAS

Mas também tem
desvantagens. Sabemos que o nível da MLS é cada vez maior, mas não temos ideia de quão “alto” é o nível de lá. Nos últimos anos, a MLS não vem fazendo frentes às equipes da FMF (México). Se bem que, na edição de 2010-11, o Real Salt Lake chegou a final da ConcaChampions, e mesmo jogando melhor, perdeu a final para o Monterrey. Na edicão atual (2011-12), as equipes da MLS está tendo um bom desempenho (não tão bom quanto o mexicano): 3 (2 dos EUA e 1 do Canadá) dos 5 representantes se clasificaram para as quartas-de-final, e algumas equipes conseguiram vitórias históricas, como UNAM 0-1 Dallas e Monterrey 0-1 Seattle Sounders, as primeras vitórias estadunidenses em território mexicano.

Outro ponto negativo é o calendário. Haveria um conflito: a temporada da MLS começa en março, e a play-off da Copa Libertadores, em janeiro. Além do mais, as melhores equipes do México jogam a ConcaChampions, e nesta situação, o mesmo acontece com as equipes dos Estados Unidos, ou seja, não seriam as melhores equipes da MLS, assim como a FMF, que disputaríam a Copa Libertadores.

Em um ponto haveria um meio termo: as viagens. São longas, mas são muito menos complicadas. Por exemplo, seria menos complicado, apesar de bastante desgastante, ao Corinthians viajar a Houston, Texas, para jogar contra o Houston Dynamo do que viajar a San Cristóbal, Táchira, para enfrentar o Deportivo Táchira (o último é um exemplo real, que irá acontecer).

E vocês, o que acham? A possível chegada de times da Major League Soccer na Libertadores teria mais ventagens ou desvantagens?

Orkut vs. Facebook: inversão de propósitos

O Orkut foi por anos (por volta de 7 anos, mais ou menos) a rede social mais popular do Brasil (no pior e no melhor sentido da palavra “popular”). Um lugar para ver e ser visto. Rapidamente, virou a febre das “lan houses” e “cyber cafés” e das classes menos privilegiadas. Era extremamente comum ver adolescentes e pré-adolescentes e suas fotos com suas famosas poses “lingüinha
para fora”. Um site para se praticar o voyerismo abstrato e a futilidade
aleatória.

Depois de tanta publicação de intimidades, veio a opção de “trancar”, restringir os

álbuns dos chamados perfis, e a curiosidade pela vida alheia encontrou barreiras. Nascia, assim, a crise da rede social “googliana”, e a carência por um site de relacionamentos popular, aberto e despojado: era tudo que o Facebook precisava para adentrar no Brasil, um dos últimos redutos onde a ideia de Mark Zuckerberg e cia. não tinha e/ou tinha pouca representatividade.

Com o sucesso do filme “Rede Social” em território tupiniquim, veio o golpe fatal: uma evasão “orkuteira”, rumo a novidade. Em pouco tempo, o Facebook já dominava as camadas mais altas da jovem sociedade. Virou “cult” dizer que se tinha Facebook e “demodé” dizer que estava (pelo menos ainda) no Orkut. Eu mesmo vi dezenas de amigos e amigas deletando seus perfis no Orkut para se juntar ao “supra sumo” (típicos modinhas).

Aí é que entra a inversão:

Com a nova manada de usuários do Facebook, outras e outras manadas foram se agregando, e logo a “elitização” do Facebook foi por água abaixo. O Facebook virou exatamente o que era o Orkut há 2 anos: um site para se ver e ser visto, para se públicar o vazio da alma, para se dizer uma besteira e ser curtido ou comentado.

E o Orkut nessa inversão? Pois é, o Orkut agora virou um site de debates, seja em alto ou baixo nível, um lugar para se expôr opniões, e até para se buscar conhecimento. Virou não apenas mais um site de fóruns, e sim o melhor site de fóruns da internet no Brasil, devido a sua facilidade em se postar imagens, vídeos, links e coisas do tipo, que nenhum outro site forísta possui. Toda aquela estrutura e ferramentas do Orkut, antes voltadas à alienação, hoje são usadas por pessoas ávidas por debates e enriquecimento cultural. Várias pessoas fazem parte das famosas comunidades de história, ufologia, futebol, política, astronomia, música, geografia, etc. Ontem mesmo, em uma comunidade de astronomia, houve um “duelo” muito interessante (observado por alguns) entre dois astrônomos sobre um determinado exoplaneta recém-descoberto, isso ali, ao vivo.

Pois é… O Facebook, antes “cult”, virou “pop”; e o Orkut, o oposto, antes “pop”, agora “cult”. Coisas da Internet e suas constantes, rápidas e inesperadas mutações.

Portanto, minha gente, bem-vindos ao “Orcult” e ao “Feicebuque”!
Força, Comandante

Era Vasco e Flamengo. O maior clássico do futebol brasileiro, e um dos maiores do mundo, senão o maior. Um campeonato à parte, um jogo diferente do outro, cada um com sua história. Muitas alegres. Tanto para um, quanto para outro. Mas, nunca triste para os dois. Acabou o “espetáculo”, e por mais puto que eu estava com o resultado, o lado humano rapidamente apareceu, e a preocupação para/com Ricardo Gomes veio. As notícias não eram nem um pouco boas, e aguardava ansiosamente novidades boas dele.

O Ricardo Gomes, mesmo sem me conhecer, faz parte da minha vida. Eu era pequeno quando o Vasco massacrava a tudo e todos, ganhava de todo mundo, dava show em campo… Mas aquilo bastou para eu ser vascaíno. Porém, foram anos e anos em que, apesar da paixão, a motivação era pequena. Times ridículos, diretoria amadora… Era sofrível. Só o futebol para nos proporcionar isso.

Só que aí aparece ele. Um cara calmo, educado, bom caráter, chegando até a ser exagerado nisso. Desconfianças, normais. Elas aparecem. Muitos pediam um cara que desse uma “marretada no saco” dos jogadores, para acordarem. Mas não.

E ele me surpreendeu. Foi um dos responsáveis pelo ressurgimento do Gigante, de um time desacreditado e que corria o risco de ser rebaixado no campeonato mais fraco em que disputa. Sua ética e seu profissionalismo encantou a todos, inclusive àqueles que são extremamente anti-Vasco da Gama.

Sou extremamente grato ao Ricardo Gomes. Ele me deu alegrias que não sentia há muitos e muitos anos nesse esporte tão fascinante que é o futebol. Me devolveu o orgulho de dizer: “Sou Vasco”, sair com a camisa do meu clube pela rua, fez com que todo jogo do Vasco fosse imperdível, com grande expectativa, mesmo cometendo alguns pequeníssimos erros (mas quem não comete?).

Isso tudo se resume à isto: obrigado, Ricardo Gomes. Voltando a treinar o Vasco ou não, você escreveu seu nome no clube. Em um mundo cheio de “Teixeiras”, “Blatters” e “Havelanges”, não podemos perdê-lo. Seria uma imensa injustiça, do tamanho desta torcida, que voltou a ser feliz.

Força, Comandante.

Galático Solitário

Não iria postar esse dia, mas, tive que falar sobre isso. Então, lá vai:

Ontem (dia 12/01), quem viu a apresentação de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, presenciou uma das coisas mais caricatas e pobres que o mundo do futebol já produziu, mostrando o que realmente é, hoje, o Flamengo, mostrando sua estrutura de time de Série C.

Antes da apresentação a emissora que transmitia o evento mostrava alguns membros da diretoria, que se encontravam em uma espécie de escritório na Gávea, que mais parecia uma cela do antigo Carandiru, com paredes mofadas e caindo o reboco. Enquanto isso, lá fora, os civilizados “torcedores” derrubavam portões, tentando adentrar o gramado que àquela altura, ao invés de estar reservado para a estrela maior, era ocupado por uma multidão de desocupados.



A espectativa era grande, até o momento que Ronaldinho Gaúcho chega na Gávea. Ele para seu carro embaixo de uma árvore, e desce no precário estacionamento de terra batida. É visível a sua cara de espanto quando um segurança abre um portão de ferro enferrujado e ele se depara com um palanque de madeira improvisado, onde caberiam umas 6, 7 pessoas no máximo, mas que era ocupado por, no mínimo, umas 60. Ali, até vizinhos e parentes da presidente do clube, provalvelmente, se encontravam. Um verdadeiro piquenique bem ao estilo frango-com-farofa.

Àquela altura, acho que Ronaldinho Gaúcho se lembrara de suas apresentações no Camp Nou, em Barcelona ou no San Siro, em Milão, cercadas de luxo e pompa, e, mesmo com um contrato milionário em baixo do braço - que diga-se de passagem, se tratando de um time com uma estrutura dessas não é garantia alguma - fica difícil de não comparar.

E para terminar, os jornais esportivos dividiram as notícias do dia entre a “luxuosa” apresentação de Ronaldinho Gaúcho e a notícia sobre os salários do clube, atrasados há mais de 3 meses.

Depois desse circo dos horrores, vamos aguardar o que fará o time do profexô e seu “galático solitário”, que sozinho vai embolsar por mês quase o que todo o plantel recebe junto.



Site da imagem: http://www.navegueja.com.br/

Nada é assim



2010 acabou. E com seu término vem 2011. Ano novo para muitos, para todos, é significado de que tudo que é ruim acabou, não existe mais, que a paz reina no mundo. Não é assim. Nada é assim.

A festa do Reveillón é sim para pedir, torcer para que o ano seguinte seja repleto de paz e felicidade. Mas para mim, a transição de um ano para outro é que nem a transição de um dia para outro, tirando, claro, as expectativas que são criadas sobre o ano que está para chegar. Por mais que festejar seja bom, a vida continua. Num é um pedido a Deus numa festa que vai fazer com que o ano seje melhor ou pior, você tem que trabalhar, buscar, lutar para que isso que você deseja aconteça. É que nem você prometer a alguém algo que você não pode cumprir. Falar não adianta, tem que fazer. Todo esforço, todo trabalho, no final, é recompensado, com certeza.

Então, o maior pedido para 2011 é muita saúde? Não. É muita felicidade? Não. É muita vontade, muita disposição, para que tudo que desejamos se cumpra. Nada vai cair no seu colo. Não acredite em sorte. Faça você mesmo a sua sorte.

“Saúde e paz; o resto, ‘nós corre’ atrás!”



Site da imagem: http://espiritualidadeparatodos.blogspot.com